O amor de dois jovens será mais forte que a obsessão de uma mãe por sua filha?


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A Sogra

The Mother-in-Law
Emma Southworth

O amor de dois jovens será mais forte que a obsessão de uma mãe por sua filha?
Luísa Armstrong, jovem meiga e impressionável, é profundamente devotada a sua mãe, Sra. Armstrong, uma mulher dominada pelo orgulho e pelo amor materno. Quando passa a ser voz corrente que Luís Stuart-Gordon, amigo de infância de Luísa e herdeiro da ilha de Luz, em breve se casaria com Suzana Somerville, aqueles dois sentimentos se tornam conflitantes para a Sra. Armstrong. Se por um lado queria ver Luísa como a dona da ilha de Luz, por outro... como admiti-lo, se implicaria em partilhar o coração de sua filha e perder a influência que até então exercera sobre ela?

Disponibilização: Marisa Helena

Digitalização: Marina

Revisão: Déborah

Tradução de OLIVEIRA RIBEIRO NETO

DO ORIGINAL INGLÊS: THE MOTHER-IN-LAW

COMPANHIA EDITORA NACIONAL

1984

Impresso no Brasil

CAPÍTULO I

A ILHA DE LUZ
Vou tentar descrever uma das paisagens mais lindas e empolgantes da Virgínia, onde o rio que nasce nas montanhas Alleghanys atravessa o vale, corta um desfiladeiro da serra Azul, e, precipitando-se, estrondoso, do alto de um precipício, segue rugindo, a carreira doida. Entre os rochedos despedaçados que lhe embaraçam o caminho. É selvagem, violento, espantoso o espetáculo. O espectador emotivo pára deslumbrado ante as cachoei­ras trovejantes, o rio frenético a esbarrar, espumando, nas margens monumentais e a correnteza sibilante, sal­tando do seu leito acidentado como idéias desordenadas de um cérebro delirante.

Um quarto de milha além deste cenário fantástico desce a corrente, e, depois de novo salto, espalha-se, abrindo os braços para apertar num abraço gigantesco uma linda ilha, verdadeira jóia que, pelo aspecto singular da sua beleza orvalhada, refulgindo ao sol e cintilante na água, recebera dos índios o nome poético de ilha dos Sorrisos e das Lágrimas. O primeiro invasor anglo-saxão batizou-a ilha de Luz.

Entre as margens do rio, escarpadas e penhascosas, a ilha assoberba as ondas, erguendo um tope de vegeta­ção exuberante sobre a sua base sólida de rocha reco­berta de espessa camada de terra. Linda angra de águas límpidas ocupa, sem a dividir, o meio da ilha. Situada acima do nível do rio, esta enseada nasce de uma fonte que, jorrando da rocha na extremidade ocidental soerguida da ilha e atravessando-a de lado a lado, corre can­tando rumo ao sol, até se atirar, num frêmito, no seio acolhedor do rio.

No tempo em que começa a nossa história, ligeiro passadiço arqueava sobre a angra suas formas elegantes. Se bem que as colinas elevadas da ilhota estivessem no mesmo nível que as margens a prumo do rio, nenhuma ponte fora construída para ligá-las à terra firme. As comunicações se faziam por meio de um bote, ao qual conduziam degraus de pedra cavados nas vertentes da ilha e nas margens opostas da corrente.

A parte setentrional da ilha maravilhosa conservava a beleza empolgante da natureza inculta. Na sua parte meridional, ao contrário, fora desbravada e modificada por bosques, gramados, terraços, jardins e estufas. No ponto culminante dessa região, elevava-se elegante palacete de pedra branca, de dois andares inteiramente cingidos por arcadas, e ao qual dava acesso um planalto com árvores frondosas e lindíssimos canteiros de flores.

Degraus de mármore desciam daí para o gramado, cuja relva era recortada por caminhos sinuosos que, serpenteando, ora entre bordaduras de flores rutilantes e alas de pinheiros, ora ao lado de um regato murmurante, aqui à sombra de um carvalho venerável ou à beira de uma poça de água límpida, galgando adiante a ondulação de uma colina verdejante, procurando mais longe o recesso de uma rocha musgosa, conduziam a um banco rústico, a um bosque, a uma gruta orvalhada, cuja fonte, ora rindo, ora em prantos, esguichava, espa­lhando diamantes líquidos.

Quando o sol alvorecente acariciava a angra, as cachoeiras e o rio, as águas cintilantes, contrastando com o sombrio dos rochedos e dos bosques, reverberavam para o céu os raios ofuscantes que deram ao lugar o nome acertadíssimo de ilha de Luz.

A ilhota pitoresca abrangia uma extensão de du­zentos acres e o domínio que senhoreava a Fazenda da Ilha compreendia dezenas de hectares, estendendo-se na terra firme para o lado do norte, rio abaixo, rio acima. Essa propriedade, a maior do condado, se trans­mitia indivisa de pai a primogênito. Os Stuart-Gordon possuíam-na havia cento e cinqüenta anos, quando nasceu Margaret, então herdeira única dos bens da família.

Entre as famílias da Virgínia, a dos Stuart-Gordon ocupava incontestavelmente o primeiro lugar, que lhe conferiam a origem principesca, a fortuna, o orgulho e a vaidade. Pretendiam os Stuart-Gordon, não sei se com razão, descender da casa real da Escócia; vários motivos me inclinam a pensar que a sua pretensão era fundada, embora o quartel real do escudo da família fosse provavelmente atravessado pela barra sinistra.

Um dos meus motivos pessoais para acreditar que o sangue dos Stuarts continua a se agitar nas veias dos Gordons é o seguinte: em todos os antigos retratos da família, como no rosto de todos os seus membros vivos, podem-se descobrir os olhos sérios e meditativos, a boca bem recortada na singular mistura de força e de fra­queza, de fogo e de indolência, de obstinação e de inde­cisão, de pureza e de sensualidade, essa expressão me­lancólica, meio espiritual, meio voluptuosa, que distin­guira a família malfadada desde o tempo em que o seu forte sangue escocês fora diluído pelo casamento de James V com Maria de Lorena e reduzido ainda pela: união de sua filha Maria Stuart com o imbecil Henrique, lorde Darnley. Mas... voltemos ao nosso assunto.

Como pode o leitor imaginar, o nascimento de Mar­garet Stuart-Gordon fora saudado alegremente. No seu rosto também se encontravam os olhos grandes e ternos, e os lábios bem desenhados de Maria Stuart e de Maria de Lorena. Aos vinte e um anos foi dada em casamento ao capitão Henry Cartwright, jovem oficial que se salien­tara na luta revolucionária. No dia do enlace, adotou ele o nome de Stuart-Gordon, cumprindo as condições em que a mão de uma herdeira da família podia ser concedida. Abençoou essa união um filho único, louro e delicado, a quem naturalmente passaria a herança.

Quando Luís Stuart-Gordon atingiu dezessete anos, perdeu a linda mãe bem-amada, tornando-se o conso­lo único do pai aflito; e é quando começa a nossa his­tória. Luís era um dos moços mais bonitos que se podem conceber, retratando fielmente os traços da mãe; dela herdara os cabelos macios e ondulados, os olhos grandes e ternos, a boca bem talhada, a tez delicada e a expres­são de meiguice. Era esbelto, de aparência forte e gestos engraçados, maneiras amáveis e natureza poética. Essa ilha linda era o seu lar, o seu paraíso. Nela andava o dia todo passeando entre os bosques umbrosos, entre os rochedos vetustos, ou navegando sobre as águas brilhantes.

Entre esse jovem poeta e sua mãe existira o mais perfeito entendimento. Quando esta morreu a alma do rapaz parece que se partiu. Durante certo tempo con­teve a sua pena para se dedicar ao pai, mas quando no fim de algumas semanas viu que ele tornava a achar a antiga jovialidade, afastou-se para se entregar aos sonhos nos bosques e entre os rochedos da ilha amada. Às vezes, vencido pelas saudades da mãe, prorrompia em prantos, e descansando a cabeça nas mãos deixava as lágrimas correrem livremente. Quando o pai o encon­trava nessa disposição de espírito, exclamava sempre, sem malevolência intencional, no intuito errado de sacudi-lo:

— Não seja tolo. Você não parece homem, Luís! Que vergonha!

Ou ainda:

— Vamos! Vá namorar! Na sua idade eu andava apaixonado pela metade das moças do país e todas esta­vam enamoradas por mim. Vamos, Luís, coragem!

CAPÍTULO II

MONTE CRISTAL
Depois dessa visita à ilha de Luz, quero apresen­tar ao leitor os lugares mais importantes e os mora­dores mais notáveis das vizinhanças.

Em primeiro lugar, pela fortuna e posição social, convém mencionar a residência da viúva Dr. Armstrong. Vejam o elegante edifício de granito branco, semi-oculto entre árvores, e que, coroando o cimo de uma colina nas margens do rio, é visível das janelas fronteiras do pavi­lhão da ilha. Esse "palácio" havia várias gerações que vinha sendo a residência dos Armstrongs de Monte Cristal, como se chamava a propriedade. O extenso do­mínio compreendia muitas dezenas de hectares e em importância vinha imediatamente depois da célebre Fa­zenda da Ilha. Estendia-se ao sul tendo em comum com a ilhota o limite do rio.

O herdeiro da Fazenda da Ilha era Luís Stuart-Gordon. A única herdeira da propriedade do Monte Cristal era a jovem Luísa, filha do falecido Dr. Heitor Armstrong e de D. Hortencia Luísa Blackstone, e que em companhia da mãe e da governante vivia em suas terras.

Provinda de uma das famílias mais fidalgas da Virgínia e pretendendo descender de uma das casas mais antigas e mais nobres do norte da Inglaterra, Hor­tencia Luísa Blackstone, por causa do seu orgulho, ficara solteira até os trinta anos. O coração orgulhoso e frio lhe permanecera intacto apesar de que sua extraordi­nária beleza arrastasse aos seus pés inúmeros admira­dores; reservara a sua mão ao candidato mais nobre. Concedeu-a, afinal, a Heitor Armstrong, jovem médico que durante anos a cortejava e que poderia ter conti­nuado a suspirar em vão se a morte do irmão mais velho não o tivesse tornado herdeiro único da grande proprie­dade de Monte Cristal.

Heitor Armstrong era um homenzinho baixo e débil, de tez clara, cabelo ruivo e olhos azuis, a quem, para louvá-lo, chamavam de "bonzinho", de "amável", de "inofensivo" e de outros qualificativos injuriosos. Pouco depois de receber ao mesmo tempo a herança e a noiva, a mudança de fortuna e de vida aliada à indolência dos costumes fê-lo abandonar a profissão. Daí em diante começou a cair no anonimato, na insignificância, na nulidade, enquanto a personalidade da Sra. Heitor Armstrong crescia em importância. Em geral, as plantas fracas se engelham, contraem-se e murcham até morrer ao lado de uma outra mais forte e resistente. Da mesma forma, Heitor Armstrong viu absorvidas pelas da esposa a sua individualidade e a sua dignidade. Ela era orgu­lhosa demais para não querer dar à fraqueza do cabeça do casal o prestígio do poder, da dignidade; mas, por uma razão ou outra, a púrpura não caía natural e ele­gante dos ombros do homem pequeno; e aconteceu ine­vitavelmente que a vizinhança e a criadagem conside­rassem como chefe da família a Sra. Heitor Armstrong.

No segundo ano do casamento nascera-lhe uma filha que, como acontece freqüentemente na Virgínia, recebeu os nomes dos pais: Luísa Heitor. A criança puxou inteiramente ao pai sem que se lhe pudesse des­cobrir um único traço da mãe no rosto, na constituição ou no caráter. Quando Luísa ia completar quatro anos, Heitor faleceu deixando a esposa senhora absoluta dos bens e da filha.

Poderá o gentil leitor conceber um amor maternal revestindo a forma de uma paixão profunda, intensa, absorvente e, ao mesmo tempo, egoísta, ciumenta e exi­gente? Tal era, entretanto, a natureza da afeição — se semelhante sentimento merece ter esse nome — que Hortencia Armstrong dedicava à filha. Sentira ciúme do amor que a menina tinha ao pai, ciúme da simpatia que manifestara pela ama mulata, embora a vida que levava a obrigasse a deixar geralmente a criança aos cuidados dos empregados.

Mas, depois da morte do doutor, e antes de Luísa completar cinco anos, a mãe tomou pessoalmente conta dela e dirigiu-lhe a educação. O único objetivo dessa orientação foi obter a sujeição absoluta da vontade de Luísa à sua e conseguir uma ascendência eterna sobre o coração e o cérebro da criança, para dispor do seu futuro. Não só exigia da filha a obediência implícita de que todas as leis humanas e divinas dão direito às mães, como ainda desejava escravizar-lhe por completo a inte­ligência e a alma. Queria manejar Luísa a seu gosto, da mesma forma que movia a mão e o pé.

Embora gostasse dela à sua moda altiva e condes­cendente, não se pode negar que parecia considerar a filha mais ou menos como se fosse uma peça de mobília. Dela se orgulhava como do seu "palácio", dos seus cava­los e do seu exército de criados. O amor filial, a vene­ração pelos pais e a obediência lhe foram inculcados como sendo a mais sublime das religiões. Tivesse o obje­tivo sido justo, isso teria sido muito recomendável; mas, nesse caso, não o era, e a razão e a religião eram alte­radas e corrompidas, os textos da Bíblia trancados por uma mãe não muito escrupulosa, para obter sobre o cérebro da criança uma ascendência indiscutível.

Por natureza e por temperamento, Luísa era meiga e impressionável. Não é, pois, de se admirar que fosse nas mãos da mãe como a argila entre as do oleiro, e se moldasse exatamente à sua vontade. Também é natural que, embora temendo a guia terrível, Luísa a amasse com uma devoção que mais parecia supersticiosa idola­tria. De fato, é sempre assim; os pais mais secos e se­veros têm os filhos mais meigos e afetuosos, da mesma forma que os maridos mais rudes e mais implicantes têm as esposas mais ternas e mais submissas.

Quando Luísa Armstrong atingiu a idade de doze anos, quis a mãe aperfeiçoar-lhe a educação, isto é, ensi­nar-lhe línguas, música, desenho, costura etc. Como, porém, não quisesse para a filha a sociedade "misturada" dos ginásios e não lhe conviesse perder a sua companhia nem o controle dos seus atos, resolveu chamar uma go­vernante. Naquele tempo as governantes eram mais raras do que hoje, doutra forma a Sra. Armstrong nunca teria sido forçada a empregar uma "irlandesa extrava­gante" para cultivar o espírito e aperfeiçoar a educação da filha única.

A governante, Srta. O’Riley, como a chamava a alti­va senhora de Monte Cristal, Britânia O’Riley no regis­tro civil, ou "Briti" como a batizaram os amigos íntimos, era uma moça de Washington, descendente de irlandeses. No tempo em que começava a nossa história era uma morena dos seus vinte e cinco anos, de altura média, corpo cheio, olhos e cabelos pretos, traços irregulares, testa larga, sobrancelhas finas e pretas, nariz arrebitado, lábios polpudos, vermelhos e frementes. Em conjunto, uma silhueta irresistivelmente encantadora.

Estamos no fim de uma tarde fria e límpida de in­verno. Na sala de visitas, ampla e luxuosa, em que pre­dominam os tons rubros, os raios do sol poente, filtrados pelas cortinas, abrasando os cristais e as pratas, tiram centelhas de fogo de um anel de diamante que realça a mais linda e mais branca mãozinha que se pode imagi­nar: uma mão que segura um pequeno espelho de bolsa e pertence a uma mulher comodamente reclinada numa poltrona de veludo. Qual será a sua ocupação? Con­templa a própria beleza, fitando com um olhar cismador e apaixonado os próprios olhos lânguidos. No seu rosto luminoso não se pode ler vaidade satisfeita, apenas a emoção meio intelectual, meio sensual de uma alma de artista apaixonada pela própria e sublime encarnação.

Sim, Britânia O’Riley sabia que era linda e isso a fazia feliz. À noite, quando agradecia a Deus "pela saúde, pelo pão, pelos amigos e pelo conforto" agradecia-lhe também com sinceridade pela beleza que lhe dera. Na sala quieta, nessa hora parada do crepúsculo, para ela era um luxo sentar-se na poltrona fofa e sorrir, sonhando aos próprios olhos. Entretanto, não era vaidosa. A vai­dade é um composto de dois elementos: o convencimento e o desejo de louvores. Não, Britânia O’Riley tinha ape­nas uma opinião justa de si mesma, que excluía todo o desejo de admiração dos outros, pelo menos dos que a rodeavam.

Sabia que era linda, e, portanto, adorava a sua pes­soa. Querem condená-la por isso? Seja como quiserem! Não pretendo dar Britânia como um modelo de excelên­cia, tento apenas descrevê-la como é; e se a condenarem, não lhe poderão estranhar as atitudes. Reparem na sua beleza, enquanto ela descansa, vestida de cetim azul-escuro, um vestido elegante e fino, verdadeira loucura para uma pobre governante.

Para que esse luxo? Para ganhar um marido entre os jovens aristocratas da Virgínia? Não. É verdade que na velha Inglaterra de quando em vez um gentil-homem pode apaixonar-se por uma linda governante e casar-se com ela, mas na Virgínia esse procedimento é inaudito, impossível. Britânia sabia disso, e sendo refinada, inte­lectual e educada, pouco se importava com essas coisas. Órfã, criada desde pequena por um patrício do pai, de poucos recursos, Britânia estudara para professora no colégio, de onde saíra para aceitar em casa da Sra. Armstrong o lugar que há três anos vinha ocupando.

Não tendo lembranças boas ou más, nem probabili­dades de grandes alegrias ou desgraças futuras, a moça deixava os pensamentos vagarem pelas regiões do idea­lismo. Não vivera, não sofrera, ou não era bastante espiritual para apreciar suficientemente a música e a poesia. Possuía uma alma de esteta, adorava a beleza, inclusive a própria, mas era uma artista da plástica: amava a pintura e não a música, o primor da forma e não a poesia do som e da ciência, a harmonia da cor e não os claros-escuros das melodias. E esse instinto artís­tico é que ela inconscientemente deixava presidir a tudo que fazia, inclusive ao seu modo de vestir, de falar e de andar.

Esse amor ao belo nas formas e na cor é que deter­minava Briti às extravagâncias de toalete e a conduzia todas as tardes à penumbra do salão para sonhar. Mas a hora crepuscular pouco dura, e eis que um escravo acende as luzes e a Sra. Armstrong entra majestosa­mente, acompanhada pela filha.

A Sra. Armstrong anda pelos quarenta e cinco anos. É mulher de aparência imponente, muito alta, muito gorda, muito tesa e de andar pomposo. Suas maneiras calculadas exprimem a força consciente, a vontade indômita, uma autoridade acostumada a ser obedecida. Seus traços são fortemente salientes, testa larga e quadrada, nariz exageradamente recurvado, queixo e faces redon­das e cheios, lábios voluntariosos, tez branquíssima, olhos cinzentos, brilhantes, frios e impassíveis, espessas sobrancelhas pretas, cabelo lustroso e pretíssimo. O conjunto da expressão, da atitude, da voz, das maneiras revela nesta senhora uma certa nobreza. Mas é a nobreza do orgulho, não a da bondade.

A filha é uma linda criaturinha de seus quinze anos, de silhueta pequena e frágil, cabelos louros, olhos azuis. Tem o ar tímido e suplicante das crianças oprimidas.

A Srta. O’Riley se levantou, cedendo a poltrona à dona da casa que com leve sinal de agradecimento se afundou lentamente nas almofadas, convidando com o gesto a filha para ocupar um banquinho a seus pés.
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